Entre as forças da Revolução, cumpre não omitir os católicos que professam a doutrina da Igreja mas estão dominados pelo espírito revolucionário. Mil vezes mais perigosos que os inimigos declarados, combatem a Cidade Santa dentro de seus próprios muros, e bem merecem o que deles disse Pio IX: “Embora os filhos do século sejam mais hábeis que os filhos da luz, seus ardis e suas violências teriam, sem dúvida, menor êxito se um grande número, entre aqueles que se intitulam católicos, não lhes estendesse mão amiga. Sim, infelizmente, há os que parecem querer caminhar de acordo com nossos inimigos, e se esforçam por estabelecer uma aliança entre a luz e as trevas, um acordo entre a justiça e a iniqüidade por meio dessas doutrinas que se chamam católicoliberais, as quais, apoiando-se sobre os mais perniciosos princípios, adulam o poder civil quando ele invade as coisas espirituais, e impulsionam as almas ao respeito, ou ao menos à tolerância das leis mais iníquas. Como se absolutamente não estivesse escrito que ninguém pode servir a dois senhores. São eles muito mais perigosos certamente e mais funestos do que os inimigos declarados, não só porque lhes secundam os esforços, talvez sem o perceberem, como também porque, mantendo-se no extremo limite das opiniões condenadas, tomam uma aparência de integridade e de doutrina irrepreensível, aliciando os imprudentes amigos de conciliações e enganando as pessoas honestas, que se revoltariam contra um erro declarado. Por isso, eles dividem os espíritos, rasgam a unidade e enfraquecem as forças que seria necessário reunir contra o inimigo” (Carta ao Presidente e membros do Círculo Santo Ambrósio, de Milão, de 6-III-1873, apud I Papi e la Gioventù, Editrice, A.V.E., Roma, 1944, p. 36).
Fonte: Revolução e Contra-revolução, parte I, Cap. VI, 5. D
Sou tomista convicto. O aspecto da Filosofia pelo qual mais me interesso é a Filosofia da História. Em função deste encontro o ponto de junção entre os dois gêneros de atividade em que me venho dividindo ao longo de minha vida: o estudo e a ação. O ensaio em que condenso o essencial de meu pensamento explica o sentido de minha atuação ideológica. Trata-se do livro Revolução e Contra-Revolução.
24 de fevereiro de 2015
20 de janeiro de 2015
É de alta importância impedir, pela ação ideológica, que o comunismo persuada
1. Para que uma corrente ideológica, seja ela qual for, chegue a impor-se a um país de [205]* milhões de habitantes, tem de ser numerosa, ainda que minoritária. Pois com quatro gatos pingados ardendo de febre ideológica, não se consegue dominar [205] milhões de homens.
2. Essa corrente minoritária precisa ser convicta e coesa, senão se dispersará ou se dividirá, antes mesmo de alcançar o poder.
3. Alcançado o poder essa corrente não se manterá nele senão obtiver o apoio mais ou menos definido de uma parcela ainda bem maior (se bem que sempre minoritária da população).
4. Em conseqüência, a força material não é tudo. Ela tem seu papel por vezes imenso, sempre indispensável, jamais suficiente só por si — para as grandes revoluções sociais ou políticas. Além da força material — insisto — é indispensável a persuasão. Esta é que reúne os homens para manusearem as armas, esta é que os mantém dedicados e coesos. Esta é que os torna estáveis no leme. Negar tudo isto é negar a própria evidência dos fatos.
Agora, permitam-me que entre com outra seqüência de teses:
1. Se o comunismo não vence sem recrutar e unir, e não recruta nem une sem persuadir, quem se empenha em impedir que persuada, muito faz para tornar impossível que ele vença.
2. Persuadir é obra eminentemente ideológica. Pois é fazer aceitar suas próprias idéias por outrem.
3. Isto não se consegue sem uma ação ideológica. Logo, o terreno ideológico em que a TFP se situa é de alta importância na luta anticomunista.
Fonte: "Cumprimentos à senhora e seu bom esposo", Folha de S. Paulo, 17.05.1970
* valor atualizado para o início de 2015
2. Essa corrente minoritária precisa ser convicta e coesa, senão se dispersará ou se dividirá, antes mesmo de alcançar o poder.
3. Alcançado o poder essa corrente não se manterá nele senão obtiver o apoio mais ou menos definido de uma parcela ainda bem maior (se bem que sempre minoritária da população).
4. Em conseqüência, a força material não é tudo. Ela tem seu papel por vezes imenso, sempre indispensável, jamais suficiente só por si — para as grandes revoluções sociais ou políticas. Além da força material — insisto — é indispensável a persuasão. Esta é que reúne os homens para manusearem as armas, esta é que os mantém dedicados e coesos. Esta é que os torna estáveis no leme. Negar tudo isto é negar a própria evidência dos fatos.
Agora, permitam-me que entre com outra seqüência de teses:
1. Se o comunismo não vence sem recrutar e unir, e não recruta nem une sem persuadir, quem se empenha em impedir que persuada, muito faz para tornar impossível que ele vença.
2. Persuadir é obra eminentemente ideológica. Pois é fazer aceitar suas próprias idéias por outrem.
3. Isto não se consegue sem uma ação ideológica. Logo, o terreno ideológico em que a TFP se situa é de alta importância na luta anticomunista.
Fonte: "Cumprimentos à senhora e seu bom esposo", Folha de S. Paulo, 17.05.1970
* valor atualizado para o início de 2015
9 de janeiro de 2015
Ao pé do presépio cada qual se deve apresentar tal qual é
Quis a Providência que o Menino Jesus recebesse a visita de três sábios - que segundo uma venerável tradição eram também Reis - e alguns pastores. Precisamente os dois extremos da escala humana dos valores. Pois o Rei está de direito no ápice do prestigio social, da autoridade política e do poder econômico. O sábio é a mais alta expressão da capacidade intelectual. O pastor se encontra, na escala dos valores, em matéria de prestigio, de poder e de ciência, no grau mínimo, no rés do chão. Ora, a graça divina, que chamou ao presépio os Reis Magos, do fundo de seus longínquos países, chamou também os pastores, do fundo de sua ignorância. A graça nada faz de errado ou incompleto. Se ela os chamou, e lhes mostrou como ir, há de lhes ter ensinado também como apresentar-se ante o Filho de Deus. E como se apresentaram eles? Bem caracteristicamente como eram. Os pastores lá foram levando seu gado, sem passar antes por Belém para uma "toilette" que disfarçasse sua condição humilde. Os Magos se apresentaram com seus tesouros, ouro, incenso e mirra, sem procurar ocultar sua grandeza a fim de não destoar do ambiente supremamente humilde em que se encontrava o Divino Infante. A piedade cristã, expressa numa iconografia abundantíssima, entendeu durante séculos, e ainda entende, que os Reis Magos se dirigiram para a gruta com todas as suas insígnias. Quer isto dizer que ao pé do presépio cada qual se deve apresentar tal qual é, sem disfarces nem atenuações. Pois há lugar para todos, grandes e pequenos, fortes e fracos, sábios e ignorantes É questão, apenas, para cada qual, de conhecer-se, para saber onde se pôr junto de Jesus.
Fonte: Apparuit benignas et humanitas Salvatoris nostri Dei, Catolicismo nº 60, Dezembro de 1955
Fonte: Apparuit benignas et humanitas Salvatoris nostri Dei, Catolicismo nº 60, Dezembro de 1955
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16 de dezembro de 2014
Equilíbrio: homens e mulheres com dons próprios ao seu respectivo sexo
A alma feminina é um manancial de graça, delicadeza e sensibilidade, que enriquece a vida moral e social da humanidade com valores espirituais que o homem está longe de poder dar-lhe. O equilíbrio do gênero humano exige mulheres com o feitio mental rico em todos os dons próprios ao seu sexo, como exige homens de alma profundamente varonil. Seria absurdo educar uma geração de meninos do modo mais efeminado possível. Não menos seria educar uma geração de meninas com a intenção de as fazer tão másculas quanto possível.
Esta verdade trivial, certa pedagogia de nossos dias parece esquecê-la inteiramente. E, em lugar de formar meninas para o papel que naturalmente terão na vida social, forma-as precisamente como um menino destinado a arcar de futuro com o peso e as responsabilidades próprias ao homem.
Fonte: Modernização, brutalização, primitivismo, Catolicismo nº 27, Março de 1953
Esta verdade trivial, certa pedagogia de nossos dias parece esquecê-la inteiramente. E, em lugar de formar meninas para o papel que naturalmente terão na vida social, forma-as precisamente como um menino destinado a arcar de futuro com o peso e as responsabilidades próprias ao homem.
Fonte: Modernização, brutalização, primitivismo, Catolicismo nº 27, Março de 1953
Verdadeiro pensador, analista da realidade de todos os dias
"Foi também em "Catolicismo" que criei e mantive, durante vários anos, a seção Ambientes, Costumes, Civilizações, por muitos apontada como a expressão rica e original de uma escola de produção intelectual. Essa seção constava da análise comparativa de aspectos do presente e do passado, tendo por objeto monumentos históricos, fisionomias características, obras de arte ou de artesanato, apresentados ao leitor através de fotos. Tal análise, feita à luz dos princípios que explicitei em Revolução e Contra-Revolução , tinha por meta mostrar que a vida de todos os dias, em seus aspectos-ápice ou triviais, é suscetível de ser penetrada pelos mais altos princípios da Filosofia e da Religião. E não só penetrada, mas também utilizada como meio adequado para afirmar ou então negar — de modo implícito, é verdade, mas insinuante e atuante — tais princípios. De tal forma que, freqüentemente, as almas são modeladas muito mais pelos princípios vivos que pervadem e embebem os ambientes, os costumes e as civilizações, do que pelas teorias por vezes estereotipadas e até mumificadas, produzidas à revelia da realidade, em algum isolado gabinete de trabalho ou postas em letargo em alguma biblioteca empoeirada. De onde a tese de Ambientes, Costumes, Civilizações consistir em que o verdadeiro pensador também deve ser normalmente um observador analista da realidade concreta e palpável de todos os dias. Se católico, esse pensador tem ademais o dever de procurar modificar essa mesma realidade, nos pontos em que ela contradiga a doutrina católica".
Fonte: Auto-retrato filosófico, Catolicismo nº 550, Outubro de 1996
Fonte: Auto-retrato filosófico, Catolicismo nº 550, Outubro de 1996
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18 de novembro de 2014
Autodemolição: diabólico estratagema
Nada haverá de injusto em que nosso século venha a ser cognominado pela História de "século do bluff". É que a impiedade e o comunismo resolveram demolir as últimas resistências deste pobre e cambaleante Ocidente, recorrendo, em proporções até aqui desconhecidas, ao diabólico estratagema de utilizar na demolição pessoas fadadas por todos os títulos a serem defensoras impertérritas da ordem cristã.
Teólogos ateus ou quase tanto, Príncipes cujo socialismo importa na aceitação dos erros fundamentais do comunismo, burgueses comuno-progressistas que lutam rijamente pela reforma comunitária e socialista da empresa, líderes rurais que fazem quanto podem em favor da reforma agrária espoliativa, são chagas que outrora constituíam exceção e em nosso tempo se vão multiplicando com uma celeridade impressionante.
Fonte: Um grande "bluff" do século dos "bluffs", Catolicismo, nº 194, Fevereiro de 1967 (Ambientes, Costumes, Civilizações)
Teólogos ateus ou quase tanto, Príncipes cujo socialismo importa na aceitação dos erros fundamentais do comunismo, burgueses comuno-progressistas que lutam rijamente pela reforma comunitária e socialista da empresa, líderes rurais que fazem quanto podem em favor da reforma agrária espoliativa, são chagas que outrora constituíam exceção e em nosso tempo se vão multiplicando com uma celeridade impressionante.
Fonte: Um grande "bluff" do século dos "bluffs", Catolicismo, nº 194, Fevereiro de 1967 (Ambientes, Costumes, Civilizações)
9 de novembro de 2014
Imensa cartada política: derrubada da Cortina de Ferro e do Muro de Berlim
No ocaso do ano de 1989, aos supremos dirigentes do comunismo internacional, pareceu afinal chegado o momento de lançar uma imensa cartada política, a maior da história do comunismo. Esta consistiria em derrubar a cortina de ferro e o Muro de Berlim, o que, produzindo seus efeitos de forma simultânea à execução dos programas “liberalizantes” da glasnost (1985) e da perestroika (1986), precipitaria o aparente desmantelamento da III Revolução no mundo soviético.
Por sua vez, tal desmantelamento atrairia para seu supremo promotor e executor, Mikhail Gorbachev, a simpatia enfática e a confiança sem reservas das potências econômicas estatais e de muitos dos poderes econômicos privados do Primeiro Mundo.
A partir disto, o Kremlin poderia esperar um fluxo assombroso de recursos financeiros a favor de suas vazias arcas. Essas esperanças foram muito amplamente confirmadas pelos fatos, proporcionando a Gorbachev e à sua equipe a possibilidade de continuar flutuando, com o timão na mão, sobre o mar de miséria, de indolência e de inação, em face do qual a infeliz população russa, sujeita até há pouco ao capitalismo de Estado integral, vai se havendo, até o momento, com uma passividade desconcertante. Passividade esta propícia à generalização do marasmo, do caos, e quiçá à formação de uma crise conflitual interna suscetível, por sua vez, de degenerar em uma guerra civil... ou mundial.
Foi neste quadro que irromperam os sensacionais e brumosos acontecimentos de agosto de 1991, protagonizados por Gorbachev, Yeltsin e outros co-autores dessa jogada, que abriram caminho à transformação da URSS numa frouxa confederação de Estados e depois ao seu desmantelamento.
Fala-se da eventual queda do regime de Fidel Castro em Cuba e da possível invasão da Europa Ocidental por hordas de famintos vindos do Leste e do Magreb. As diversas tentativas de incursão de desvalidos albaneses na Itália teriam sido como que um primeiro ensaio desta nova “invasão de bárbaros” na Europa.
Não falta quem, na Península Ibérica como em outros países da Europa, veja estas hipóteses em um comum panorama com a ação de presença de multidões de maometanos, despreocupadamente admitidos em anos anteriores em vários pontos desse continente, e com os projetos de construção de uma ponte sobre o Estreito de Gibraltar, ligando o Norte da África ao território espanhol, o que favoreceria por sua vez mais outras invasões muçulmanas na Europa.
Curiosa semelhança de efeitos da derrubada da cortina de ferro e da construção dessa tal ponte: ambas abririam o continente europeu para invasões análogas às que Carlos Magno repeliu vitoriosamente, isto é, as de hordas bárbaras ou semibárbaras vindas do leste e hordas maometanas provenientes de regiões ao Sul do continente europeu.
Dir-se-ia quase que o quadro pré-medieval se recompõe. Mas algo falta: é o ardor de fé primaveril nas populações católicas chamadas a fazer frente simultaneamente a estes dois impactos. Mas, sobretudo, falta alguém: onde encontrar hoje em dia um homem com o estofo de Carlos Magno?
Se imaginarmos o desenvolvimento das hipóteses acima enunciadas, cujo principal cenário seria o Ocidente, sem dúvida nos assombrarão a magnitude e a dramaticidade das conseqüências que as mesmas trariam consigo.
Entretanto, esta visão de conjunto nem de longe abarca a totalidade dos efeitos que vozes autorizadas, procedentes de círculos intelectuais sensivelmente opostos entre si e de imparciais órgãos de comunicação, nos anunciam nestes dias.
Por exemplo, a crescente oposição entre países consumidores e países pobres. Ou, em outros termos, entre nações ricas industrializadas e outras que são meras produtoras de matérias-primas.
Nasceria daí um entrechoque de proporções mundiais entre ideologias diversas, agrupadas, de um lado em torno do enriquecimento indefinido, e de outro do subconsumo miserabilista. À vista desse eventual entrechoque, é impossível não recordar a luta de classes preconizada por Marx. E daí surge naturalmente uma pergunta: será essa luta uma projeção, em termos mundiais, de um embate análogo ao que Marx concebeu sobretudo como um fenômeno sócio-econômico dentro das nações, conflito este no qual participaria cada uma destas com características próprias?
Nessa hipótese, a luta entre o Primeiro Mundo e o Terceiro passará a servir de camuflagem mediante a qual o marxismo, envergonhado de seu catastrófico fracasso sócio-econômico e metamorfoseado, trataria de obter, com renovadas possibilidades de êxito, a vitória final? Vitória essa que, até o momento, escapou das mãos de Gorbachev, o qual, embora certamente não seja o doutor, é pelo menos uma mescla de bardo e de prestidigitador da perestroika...
Da perestroika, sim, da qual não é possível duvidar que seja um requinte do comunismo, pois o confessa seu próprio autor no ensaio propagandístico “Perestroika – Novas idéias para o meu país e o mundo” (Ed. Best Seller, São Paulo, 1987, p. 35): “A finalidade desta reforma é garantir .... a transição de um sistema de direção excessivamente centralizado e dependente de ordens superiores para um sistema democrático baseado na combinação de centralismo democrático e autogestão”. Autogestão esta que, de mais a mais, era “o objetivo supremo do Estado soviético”, segundo estabelecia a própria Constituição da ex-URSS em seu Preâmbulo.
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, parte III, cap. II, 1. B
Por sua vez, tal desmantelamento atrairia para seu supremo promotor e executor, Mikhail Gorbachev, a simpatia enfática e a confiança sem reservas das potências econômicas estatais e de muitos dos poderes econômicos privados do Primeiro Mundo.
A partir disto, o Kremlin poderia esperar um fluxo assombroso de recursos financeiros a favor de suas vazias arcas. Essas esperanças foram muito amplamente confirmadas pelos fatos, proporcionando a Gorbachev e à sua equipe a possibilidade de continuar flutuando, com o timão na mão, sobre o mar de miséria, de indolência e de inação, em face do qual a infeliz população russa, sujeita até há pouco ao capitalismo de Estado integral, vai se havendo, até o momento, com uma passividade desconcertante. Passividade esta propícia à generalização do marasmo, do caos, e quiçá à formação de uma crise conflitual interna suscetível, por sua vez, de degenerar em uma guerra civil... ou mundial.
Foi neste quadro que irromperam os sensacionais e brumosos acontecimentos de agosto de 1991, protagonizados por Gorbachev, Yeltsin e outros co-autores dessa jogada, que abriram caminho à transformação da URSS numa frouxa confederação de Estados e depois ao seu desmantelamento.
Fala-se da eventual queda do regime de Fidel Castro em Cuba e da possível invasão da Europa Ocidental por hordas de famintos vindos do Leste e do Magreb. As diversas tentativas de incursão de desvalidos albaneses na Itália teriam sido como que um primeiro ensaio desta nova “invasão de bárbaros” na Europa.
Não falta quem, na Península Ibérica como em outros países da Europa, veja estas hipóteses em um comum panorama com a ação de presença de multidões de maometanos, despreocupadamente admitidos em anos anteriores em vários pontos desse continente, e com os projetos de construção de uma ponte sobre o Estreito de Gibraltar, ligando o Norte da África ao território espanhol, o que favoreceria por sua vez mais outras invasões muçulmanas na Europa.
Curiosa semelhança de efeitos da derrubada da cortina de ferro e da construção dessa tal ponte: ambas abririam o continente europeu para invasões análogas às que Carlos Magno repeliu vitoriosamente, isto é, as de hordas bárbaras ou semibárbaras vindas do leste e hordas maometanas provenientes de regiões ao Sul do continente europeu.
Dir-se-ia quase que o quadro pré-medieval se recompõe. Mas algo falta: é o ardor de fé primaveril nas populações católicas chamadas a fazer frente simultaneamente a estes dois impactos. Mas, sobretudo, falta alguém: onde encontrar hoje em dia um homem com o estofo de Carlos Magno?
Se imaginarmos o desenvolvimento das hipóteses acima enunciadas, cujo principal cenário seria o Ocidente, sem dúvida nos assombrarão a magnitude e a dramaticidade das conseqüências que as mesmas trariam consigo.
Entretanto, esta visão de conjunto nem de longe abarca a totalidade dos efeitos que vozes autorizadas, procedentes de círculos intelectuais sensivelmente opostos entre si e de imparciais órgãos de comunicação, nos anunciam nestes dias.
Por exemplo, a crescente oposição entre países consumidores e países pobres. Ou, em outros termos, entre nações ricas industrializadas e outras que são meras produtoras de matérias-primas.
Nasceria daí um entrechoque de proporções mundiais entre ideologias diversas, agrupadas, de um lado em torno do enriquecimento indefinido, e de outro do subconsumo miserabilista. À vista desse eventual entrechoque, é impossível não recordar a luta de classes preconizada por Marx. E daí surge naturalmente uma pergunta: será essa luta uma projeção, em termos mundiais, de um embate análogo ao que Marx concebeu sobretudo como um fenômeno sócio-econômico dentro das nações, conflito este no qual participaria cada uma destas com características próprias?
Nessa hipótese, a luta entre o Primeiro Mundo e o Terceiro passará a servir de camuflagem mediante a qual o marxismo, envergonhado de seu catastrófico fracasso sócio-econômico e metamorfoseado, trataria de obter, com renovadas possibilidades de êxito, a vitória final? Vitória essa que, até o momento, escapou das mãos de Gorbachev, o qual, embora certamente não seja o doutor, é pelo menos uma mescla de bardo e de prestidigitador da perestroika...
Da perestroika, sim, da qual não é possível duvidar que seja um requinte do comunismo, pois o confessa seu próprio autor no ensaio propagandístico “Perestroika – Novas idéias para o meu país e o mundo” (Ed. Best Seller, São Paulo, 1987, p. 35): “A finalidade desta reforma é garantir .... a transição de um sistema de direção excessivamente centralizado e dependente de ordens superiores para um sistema democrático baseado na combinação de centralismo democrático e autogestão”. Autogestão esta que, de mais a mais, era “o objetivo supremo do Estado soviético”, segundo estabelecia a própria Constituição da ex-URSS em seu Preâmbulo.
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, parte III, cap. II, 1. B
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16 de outubro de 2014
Quem ainda é católico na Igreja Católica?
Se desde sua fundação até nossos dias, a Igreja considerou com horror o nudismo e se, em nossos dias, entidades eclesiásticas [o toleram ou promovem], de duas uma:
1) ou a Moral católica mudou totalmente, e então a Igreja não é infalível nem divina;
2) ou essas entidades eclesiásticas adulteram o ensino da Igreja, e por si mesmas se excluem desta.
Ora, como a primeira hipótese é de todo em todo inaceitável, a segunda se impõe.
Não tenhamos medo de ver a verdade de frente. Este tema — do nudismo — levanta uma pergunta que vai muito além (...)
É absolutamente impossível que formas de rombuda agressão sexual se tenham generalizado tanto, sem que haja muitos diretores espirituais que concedam absolvição a pessoas que, por seu modo de trajar, não poderiam recebê-la. A eles, também a pergunta deve ser feita. — Se acreditam que a Moral da Igreja mudou, como ainda se dizem católicos? E se, permitem às suas penitentes [esse modo de trajar] com que direito se inculcam como padres católicos? (...)
Mas, dirá alguém, uma pessoa não peca contra a Fé por violar um desses Mandamentos (6º e 9º). Logo, minha argumentação é sem base.
Evidentemente, não digo que peca contra a Fé. Mas quem afirma, implícita ou explicitamente, que a Moral da Igreja mudou, este sim, peca contra a Fé.
E daí uma pergunta que, também a propósito da conduta face ao comunismo e de diversos outros assuntos, pode ser feita: quem ainda é católico apostólico romano dentro desse imenso magma de milhões de pessoas — cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos — habitualmente tidos como membros da única e imperecível Igreja de Deus?
Fonte: Quem ainda é católico na Igreja Católica?, Folha de S. Paulo, 5.01.75
1) ou a Moral católica mudou totalmente, e então a Igreja não é infalível nem divina;
2) ou essas entidades eclesiásticas adulteram o ensino da Igreja, e por si mesmas se excluem desta.
Ora, como a primeira hipótese é de todo em todo inaceitável, a segunda se impõe.
Não tenhamos medo de ver a verdade de frente. Este tema — do nudismo — levanta uma pergunta que vai muito além (...)
É absolutamente impossível que formas de rombuda agressão sexual se tenham generalizado tanto, sem que haja muitos diretores espirituais que concedam absolvição a pessoas que, por seu modo de trajar, não poderiam recebê-la. A eles, também a pergunta deve ser feita. — Se acreditam que a Moral da Igreja mudou, como ainda se dizem católicos? E se, permitem às suas penitentes [esse modo de trajar] com que direito se inculcam como padres católicos? (...)
Mas, dirá alguém, uma pessoa não peca contra a Fé por violar um desses Mandamentos (6º e 9º). Logo, minha argumentação é sem base.
Evidentemente, não digo que peca contra a Fé. Mas quem afirma, implícita ou explicitamente, que a Moral da Igreja mudou, este sim, peca contra a Fé.
E daí uma pergunta que, também a propósito da conduta face ao comunismo e de diversos outros assuntos, pode ser feita: quem ainda é católico apostólico romano dentro desse imenso magma de milhões de pessoas — cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos — habitualmente tidos como membros da única e imperecível Igreja de Deus?
Fonte: Quem ainda é católico na Igreja Católica?, Folha de S. Paulo, 5.01.75
10 de outubro de 2014
Elemento básico da ditadura: a onipotência do Estado
Para responder com clareza a uma pergunta a que têm sido dadas tantas soluções confusas e até tendenciosas, é necessário estabelecer uma distinção entre certos elementos que se emaranham desordenadamente na idéia de ditadura, como a opinião pública a conceitua. Confundindo a ditadura em tese com o que ela tem sido in concreto em nosso século, o público entende por ditadura um estado de coisas em que um chefe dotado de poderes irrestritos governa um país. Para o bem deste, dizem uns. Para o mal, dizem outros. Mas em um e outro caso, tal estado de coisas é sempre uma ditadura.
Ora, este conceito envolve dois elementos distintos:
- onipotência do Estado;
- concentração do poder estatal em uma só pessoa.
No espírito público, parece que o segundo elemento chama mais a atenção. Entretanto, o elemento básico é o primeiro, pelo menos se entendermos por ditadura um estado de coisas em que o Poder público, suspensa qualquer ordem jurídica, dispõe a seu talante de todos os direitos. (...)
A ditadura revolucionária visa eternizar-se, viola os direitos autênticos, e penetra em todas as esferas da sociedade para as aniquilar, desarticulando a vida de família, prejudicando as elites genuínas, subvertendo a hierarquia social, alimentando de utopias e de aspirações desordenadas a multidão, extinguindo a vida real dos grupos sociais e sujeitando tudo ao Estado: em uma palavra, favorecendo a obra da Revolução.
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, Parte I, Cap. III, pp. 26 e 28
Ora, este conceito envolve dois elementos distintos:
- onipotência do Estado;
- concentração do poder estatal em uma só pessoa.
No espírito público, parece que o segundo elemento chama mais a atenção. Entretanto, o elemento básico é o primeiro, pelo menos se entendermos por ditadura um estado de coisas em que o Poder público, suspensa qualquer ordem jurídica, dispõe a seu talante de todos os direitos. (...)
A ditadura revolucionária visa eternizar-se, viola os direitos autênticos, e penetra em todas as esferas da sociedade para as aniquilar, desarticulando a vida de família, prejudicando as elites genuínas, subvertendo a hierarquia social, alimentando de utopias e de aspirações desordenadas a multidão, extinguindo a vida real dos grupos sociais e sujeitando tudo ao Estado: em uma palavra, favorecendo a obra da Revolução.
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, Parte I, Cap. III, pp. 26 e 28
6 de agosto de 2014
Ressurreições invencíveis
Quando os homens resolvem cooperar com a graça de Deus, são as maravilhas da História que assim se operam: é a conversão do Império Romano, é a formação da Idade Média, é a reconquista da Espanha a partir de Covadonga, são todos esses acontecimentos que se dão como fruto das grandes ressurreições de alma de que os povos são também suscetíveis. Ressurreições invencíveis, porque não há o que derrote um povo virtuoso e que verdadeiramente ame a Deus.
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, p. 100
Fonte: Revolução e Contra-Revolução, p. 100
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